|
O vestuário português dos séculos XV e XVI
GLOSSÁRIO A Abarcas- espécie de sandálias com correias, usadas pelos camponeses, durante a Idade Média. Abrochado- abotoado; fechado. Açafate- pequeno cesto. Alça cuellos- gola de renda em formato de pala protectora da nuca. Alfrês- cinturão largo, adornado frequentemente a ouro e prata, com pedrarias. Algodão- tecido fabricado com os filamentos têxteis do algodoeiro. Alifafes- manto ou capa de origem moçárabe. Aljôfar- pequenas pérolas. Aljuba- manto ou capa ampla e fechada, sem mangas, usada como sobreveste. Almisque (almiscarada)- substância aromática do almíscar. Alquorques- calçado curto de carácter mais rústico. Alvo- muito branco. Arguanéis- fios de ouro ou prata entrelaçados que compunham o colar. B inicio Balaifes- tipo de pedra preciosa (?). Balandrau- capa ampla e sem mangas, de origem moçárabe, para a chuva. Banda- parte lateral; lado. Vestuário bandado significava vestuário com aplicações de cores diferentes. Beatilha- touca de pano branco, geralmente usada pelas senhoras idosas. Bedém (bedam)- capote de palha ou couro contra a chuva; capa mourisca. Bocal- abertura; entrada; buraco. Borla/Borlados- ornamento composto por um botão de onde pendem fios. Borzeguins- espécie de botas altas com atacadores. Botas- botas propriamente ditas, conhecidas ainda pelos nomes de osas, botinas ou borzeguins. Botinas- botas medievais. Braguilha- espécie de protector genital, preso por agulhetas à cintura, que constituía a parte dianteira das calças. Brial ou Saia- saio ou saia, mais no sentido feminino, desaparecendo o termo no século XIV. Brocado- tecido de seda com guarnições em relevo, a fio de prata ou ouro, de origem oriental. Brocatel- distinguia-se do brocado por ser composto de pequenos relevos. A partir do séc. XVI passa a designar as sedas ornamentadas com fios não metálicos. Broslado- bordado, borlado. Burato- provávelmente, tecido de lã . Burel- pano grosseiro de lã, geralmente de cores escuras que se usava nos lutos. C inicio Cabeção- gola alta ou outro tipo de remate superior à volta do pescoço. Cadeias- colares duplos com duas ou mais voltas. Cairel- borda, debrum; fita. Calças- peça de vestuário que veste as ancas e, separadamente, cada uma das pernas. Calças bombachas- calças semelhantes às imperiais, usadas pelos portugueses no Japão. Calças bragas- calças largas e curtas. Calças femininas- usadas como peça interior, justas e de materiais aderentes, presas por ligas ao joelho. Calças imperiais ou de roca- calças abalonadas até ao tornozelo, confeccionadas com grande quantidade de tecido e ornatos. Calças soladas- constituíam-se por duas peças que se vestiam separadamente. Incluíam a parte do pé e uma sola subjacente. Calceteiro- alfaiate especializado na confecção de calças e calções. Calção- peça de vestuário semelhante aos calções actuais, de tamanhos e feitios variados. Calção de balão- calções muito tufados e curtos, logo apertados acima da coxa. Cambraia- tecido de linho de extrema finura, geralmente importado do Norte da Europa. Camisa- peça de vestuário interior, de tecidos leves, usada inicialmente até aos joelhos, de mangas justas. Camisa mourisca- camisa mais larga e de pano mais fino, de origem árabe. Canotilho- fio de ouro ou prata feito em canudinhos. Capa- peça de vestuário pendente dos ombros, larga e sem mangas, que se usa como cobertura sobre outra roupa. Geralmente mais curta que o manto. Podia levar capuz. Capa aguadeira- capa para a chuva. Conhecida ainda pelo nome de capa de água. Capa de baeta- capa mais prática e curta. Capa de capelo- capa com barrete ou capuz pregado, abrigando assim a cabeça e o pescoço. Capa entretalhada- capa com vários cortes. Capa rachada- capa com cortes ou aberturas. Capeirão ou Capeirote- (caperutada, capirotada ou caperutada) originalmente era um capuz de ponta comprida, assemelhando-se a um turbante, ou ainda toucado arranjado ao gosto próprio. Capelo- barrete semelhante ao capeirão. Geralmente pregado a uma capa ou manto. Usado desde o século XIII e proibido por D. João II. Capote- capa que descia até aos pés, com colarinho e capuz. Capuz- cobertura de pano com que se resguarda a cabeça, e que em geral pende atrás da capa e preso a ela. Carapuça- barrete de lã ou pano, de forma cónica. Carmesim- vermelho-cravo; cor vermelha muito viva. Catassol- tecido muito fino e lustroso. Cendal- seda muito leve. Cerome ou Cerame- variante do manto do século XIII. Ceroulas- peça de vestuário que se usa por debaixo das calças; cuecas de pernas compridas. Ceroulas da Holanda- ceroulas confeccionadas com talhe e tecido holandeses; de influência holandesa. Cetim- espécie de pano de seda, lustroso e fino. Chão- baixo; raso; plano. Chamalote- tecido de lã ou seda, semelhante ao cetim. Chapado/ Chaparia- ornamentos aplicados sobre a roupa, como por exemplo, pequenas chapas de metal. Chapéus de duas abas- espécie de gorro acolchoado, mais largo nas pontas e com uma dobra justa do bocal na cabeça. Por vezes com pequenos golpes e aberturas, adornado com plumas. Chapéu tricorne- espécie de gorro largo em cima, com três altos, dois laterais e um ao alto em forma de um S deitado e alongado. Chapins- espécie de sapatos curtos, com ou sem atacadores. Cinta/ Cinto- correia de pele ou metal para a cintura. Cinzelado- lavrado; bordado no tecido com pequenos relevos. Coifa- espécie de gorro ou barrete de rede que apanhava o cabelo. Coifa avançada- touca feminina, com a pala adiantada sobre a testa, muitas vezes adornada em ondulados e frisados. Colete- peça de vestuário com longas cavas, geralmente usada sobre uma camisa. Collants- de origem francesa, que designa hoje em dia, as meias femininas. Çorame- manto ou capa de origem moçárabe. Cordovão- couro de cabra curtido e especialmente preparado para o calçado. Corpete- corpinho; justilho. Corpinho- peça interior do vestuário feminino, semelhante a um corpete ou espartilho. Podia ter mangas. Cós- tira do vestido ou das calças que rodeia a cintura. Ainda pode ser dos punhos ou do colarinho. Corset- variante francesa da cota, aberto à frente ou dos lados. Cota- espécie de vestido comprido, justo ao corpo e com ampla saia. Côvado- medida linear que corresponde a 0,70 m. Crespina- touca de pano de forma circular, ou um simples véu. Cuecas bragas- cuecas propriamente ditas, de origem muçulmana e confeccionadas com linho bragal. Usadas até ao século XV, mudando a terminologia para fraldilha ou fraldrilha. D inicio Dalmática- camisa ou túnica comprida. Damasco ou damasquim- pano de seda lisa ou com desenhos bordados, fabricado em Damasco. Debruar- guarnecer com um bordado ou ornamento. Debrum- fita com que se guarnece a borda de um tecido; orla; bainha. Degredo- desterro; exílio. Diadema- jóia feminina em forma de D, que se usava cingida na fonte. Dorsel- tecido sumptuoso colocado nas costas das cadeiras ou cabeceiras das camas. E inicio Embuçar- cobrir; embrulhar; ocultar. Enxaravel- toucado feminino. Enxaravia- toucado feminino em forma de capuz, geralmente usado pelas velhas, que envolvia o queixo e o pescoço. Entretalho- espécie de recortes usados no vestuário e aplicações de tecido. Entretela- tela reforçada sobre outra. Epitáfio- inscrição tumular. Escarlate- cor vermelha muito viva; tecido dessa cor. Escarpins- sapatos descobertos de sola muito fina. Escusar- evitar. Esmaltado- adorno; brilhante; enfeite. Espartilho- espécie de pequeno colete confeccionado com materiais resistentes que cingem e moldam as formas do peito e da cintura. Estamenha- tecido ordinário de lã, próprio para lutos. F inicio Farpados- cortes e aplicações de tiras nos tecidos. Fazenda- pano; tecido. Felpa- pêlos salientes do tecido. Feltro- espécie de estofo de lã ou pêlo obtido por empastamento e muito empregue no fabrico de chapéus. Filigranado- composição de fios metálicos e pequenas esferas de ouro ou prateadas entrelaçados. Finar- dar fim; desesperar; morrer Firmal- broche ou jóia que servia para prender mantos, vestidos e outras peças do vestuário. Fralda e fraldilha- partes inferiores e compridas das vestes que, no caso dos vestidos, roçavam pelo chão. Fraldilha- peça de pano que envolve a zona genital, em jeito de fralda ou cueca. Frisado- encrespado; encaracolado. Funda- tira de couro ou corda ligada às selas, ou ainda uma rédea. G inicio Galochas- o mesmo que abarcas. Gardalate- tecido de lã. Gargantilha (teada)- pequenos véus quase transparentes, usados pelas damas para cobrir o pescoço. Garnacha (guardacó)- variante do manto, semelhante à granaia, feito de lã, mais curto e chegado ao corpo, aberto à frente, com ou sem mangas. Gibão ou jubão (porponto)- espécie de camisa, com ou sem fralda, forrado e enchumaçado, apertado na cintura para depois cair sobre as ancas. Gola ou colarinho- parte do vestuário junto ao pescoço ou em volta do mesmo. Golpes/golpeados- aberturas ou cortes no vestuário, que deixavam entrever as roupas interiores ou ainda aplicações de outros tecidos e cores. Gorgeia (gola de canudos)- gola fechada à volta do pescoço; confeccionada numa sucessão de canudos circulares. Gorra (o)- espécie de barrete; carapuça. Granaia (garvaia)- variante do manto, relativamente apertado ao corpo, com gola alta e capuz, até ao joelho. As largas mangas com aberturas permitiam libertar os braços. Gualtira- carapuça ou gorro. H inicio Hábito- peça de vestuário, tipo veste religiosa de monge, com capuz. Hennin- toucado de origem estrangeira, semelhante a uma crespina em cone de cujo vértice, caia um finíssimo véu. Holandilha (do esp. hollandilla)- tecido grosseiro de linho, próprio para entretelas. I inicio Ilharga- lado. J inicio Jubeteiro- alfaiate especializado na confecção de gibões. L inicio Lavor- bordado; ornamento; adorno. Lavrado- ornamentado com lavores. Lineamento- conjunto de linhas que formam um desenho ou composição. Linho- tecido confeccionado com as fibras da planta do linho. Linho bragal- linho grosseiro produzido na Beira e em Trás-os-Montes; pano grosseiro em linho e trama de algodão. Loba- espécie de tabardo ou pelote aberto, usado abaixo do joelho, muitas vezes em jeito de capa. Loudel- veste militar dos séculos XIV e XV. Luvas- peças do vestuário que cobrem as mãos. M inicio Mantão- espécie de manto confeccionado com maior quantidade de tecido. Mantão lombardo- tipo de manto de influência lombarda muito usado em Portugal nos fins do século XIV até aos primeiros quartéis do século XV. Mantel ou mantelote- tipo de manto redondo, curto ou comprido. Mantilha- espécie de véu usado pelas mulheres. Manto- espécie de grande capa com cauda, confeccionada com grande quantidade de tecido. Marta- pele de marta, considerada muito valiosa. Meias- tecido de malha de lã, algodão ou seda com que se calçam os pés e as pernas. Meias calças- variante do modelo das calças do século XVI, inicialmente tufadas e depois apertadas no joelho. Mesquela- tecido de mistura. Mudbage- veste de origem muçulmana, espécie de saio ou brial justo, de corte direito e sem mangas. O inicio Opa- peça de vestuário, tipo casaco muito comprido e amplo, com gola alta e largas mangas. Osas- botas medievais de cabedal ou couro. P inicio Pantufos - pequenos sapatos usualmente de seda, que se costumavam usar dentro de casa. Pardo- branco sujo; cinzento. Pastilha- espécie de pasta perfumada.. Pelote- peça de vestuário semelhante a um casaco fechado, usado pelos joelhos e inicialmente justo ao corpo e com grandes cavas. Pelote gironado- usado nos tempos de D. João II, largo e comprido e com guarnições bordadas. Pelote rachado- pelote com cortes e aberturas. Penacho- conjunto de penas com que se adornavam os chapéus. Pespontado- cosido; com pesponto. Pestana- franja. Pontilhas (ou sapatos de ponta)- sapatos muito bicudos. Pregão- anúncio público. Púrpura- tinta vermelha escura extraída do murex; cor vermelha. R inicio Redondel- tipo de manto confeccionado com cerca de dez metros de tecido. Retrós- fio ou fios de seda torcidos. Roçagante- que arrasta pelo chão. Rofêgo (refego)- dobra ou prega usada no vestuário para decoração. Roupa de dó- roupa usada por luto de outrem. Roupão- talvez uma espécie de tabardo ou capa. Roupeta- batina ou roupa interior. S inicio Sainho- diminutivo de saio, podendo ser uma espécie de saia já sem a parte superior da veste, ou uma vasquinha. Saio ou saia- peça de vestuário semelhante a uma camisa comprida, até aos joelhos. Saio francês- saio de tecido muito fino. Sarjo/sarja- tecido de seda, lã ou algodão. Seda- tecido muito fino confeccionado a partir do fio do bicho-da-seda. Servilhas- espécie de chinelos em couro. Sobrepelizes- espécie de capa curta e fina, de cor branca. Sobretela- sobre o tecido. Solia- tecido de lã. Sombreiro- chapéu, gorro ou touca de vários modelos. Sombreireiro- chapeleiro ou alfaiate especializado no fabrico de chapéus. Sósis- tipo de pedra preciosa (?). T inicio Tabardilha- tipo de capa mais pequena usada nos séculos XI e XVI. Tabardo- peça de vestuário, originária do manto, que descia até ao meio da perna, geralmente usado fechado, fendido e com grandes cavas. Tabardo aguadeiro- tabardo para a chuva e frio, usado por cima de outras vestes. Tafetá- tecido de seda muito leve de fios lustrosos e rectilíneos . Tela de ouro- tecido bordado a fio de ouro. Temperança- moderação. Toga- peça de vestuário dos antigos romanos em forma de manto. Touca- cobertura da cabeça. Toucado- peça para cobrir a cabeça, dos mais variados modelos. Trançadeira- fita para prender o cabelo. Túnica- longa camisa, até aos pés, de mangas justas e pouco decotada, confeccionada em linho, lã ou sedas. Turbante- faixa de pano que cobre a cabeça, de origem oriental. V inicio Vaquem- relativo a gado vacum; bovino. Vara- medida de comprimento mais ou menos equivalente a 1,1 metros. Vasquinha- peça de vestuário semelhante a uma saia, pregueada na cintura e a tufar nos quadris. Veludo- tecido de seda ou algodão com pêlo curto e macio numa das faces Veludo cinzelado- veludo lavrado. Véu- tecido tendencialmente transparente com que se cobre a cabeça ou o rosto.
alfaiates/tecidos/v. feminino/v. masculino/v. real/v. nobreza/v. burguesia/v. povo |
|
|
legislação/documentos/figur.hist.vivo/figur.teatro/glossário/links/e-mail |