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O vestuário português dos séculos XV e XVI  

VESTUÁRIO POVO

Pequenos lavradores, pescadores, almocreves, marinheiros, criados, assalariados de uma maneira geral, constituíam o grupo-base de gente com uma vida modesta e apagada que formava a esmagadora maioria dos portugueses.

Para o povo, o vestuário simples e pouco variado nas formas, fabricado por ele próprio, apenas tinha um significado utilitário. Longe das modas e dos actos mundanos da Corte, era o mais simples e rústico, baseado apenas nas necessidades do quotidiano. As suas cores escuras, os tecidos vulgares e remendados comunicavam apatia e tristeza. O vestuário reflectia a sua condição de dependência (1).

Para cobrirem a cabeça, além das toucas ou coifas colocavam por vezes um sombreiro de abas largas ou barretes de feltro e pano. Juntamente com o saio, bastante usual, vestiam-se os gibões compridos de burel, calças de malha grosseira e mantos com capuz de Inverno. No vestuário feminino, eram frequentes os corpetes justos e as saias duplas dobradas. O vestuário de um homem do povo por volta de 1563 era basicamente constituído por pelote, colete, calças e sapatos. Para as mulheres, vasquinha, sainho e camisa, coifa e sapatos (2).  Frequentemente cobriam a cabeça com capuzes e mantos, não se lhes vendo o rosto.

D. Manuel no seu testamento de 1517, mandava que todos os seus vestidos que não fossem de brocados e sedas, se dessem em esmola aos criados, pobres e desprotegidos (3).  A infanta D. Maria, no testamento de 1577, teve a mesma preocupação, ao deixar trinta e seis mil reais de ouro para vestir nove mulheres pobres na festa da Nascença, à razão de dois mil reais o vestido. Deixou ainda cinco mil reais de ouro para vestir trinta e três pobres por cada ano (4).

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(1) Ver documento 3. "Excerto do Testamento de D. Maria Lourenço Gramacho".

(2) "Testamento autêntico do duque de Bragança, D. Teodósio" in António Caetano de Sousa, Ob. cit., Livro VI, Tomo III, pág. 237.

(3) "Testamento de El-Rei D. Manuel" in  António Caetano de Sousa, Ob. cit., Livro IV, Tomo II, pp. 325-329.

(4) Testamento da Infanta D. Maria, filha de El-Rei D. Manuel e Treslado da Infanta que Deus tem, Biblioteca Nacional de Lisboa, reservados, códice 34, fólio 104.

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